terça-feira, 29 de maio de 2012

Balaio enológico: Vinho com meteorito? Técnicas para esfriar ou abrir vinho? Dicas, utilidades e curiosidades...

O “Balaio Enológico” é uma coletânea de dicas, utilidades e algumas maluquices relacionadas ao mundo do vinho. Estou sempre assistindo a vídeos, buscando coisas novas e selecionei alguns vídeos para esta primeira coletânea. Você pode encontrar muita coisa instrutiva e útil por aí, mas outras que são, no mínimo, curiosas... Vamos aos indicados:

Parte 1 – Dicas úteis: Para os apressados e esquecidos
            Vai receber amigos em casa e o vinho não está na temperatura correta? Sem problemas, o primeiro vídeo mostra uma dica interessante para ajudar nisso...


            Ou ainda pior, vai abrir uma garrafa e se deu conta que está sem um saca-rolhas? Apesar de trabalhosa a noite não está perdida. Há diversas dicas espalhadas pela internet para se abrir a garrafa de maneira não-convencional, mas resolvi selecionar um vídeo que compila várias alternativas possíveis (nem todas fáceis). A última dica é com um pano, mas muita gente usa esta técnica com um sapato (segue no outro vídeo), talvez seja a mais indicada. Espero mesmo é que não precise de nenhuma delas, mas fica a dica. E você que já precisou recorrer a alguma delas?


Parte 2 – Enocreditáveis: Vídeos no mínimo curiosos
A que ponto chega a criatividade humana e a capacidade de colocar isso em prática? Essa máquina é de uma complexidade absurda e tem uma única finalidade: Abrir uma garrafa de vinho e servir a sua taça... Diferente, não? Brincaram de descomplicar, complicando! Apesar de ficar mesmo com o meu saca-rolhas, o ponto foi para a criatividade.


 E no segundo vídeo da categoria “Enoacreditáveis” entra um fato curioso pendendo para o bizarro! Você já imaginou em consumir um vinho de Cabernet Sauvignon infundido com um meteorito de 4.5 bilhões de anos? Pois este é o vinho feito pelo escocês Ian Hutcheon, que mora no Chile há mais de uma década e que lançou o vinho intitulado “Meteorito 2010”. Nada mais sugestivo.
Para o vinho feito ao sul de Santiago, o processo de produção foi o mesmo, salvo que durante a fermentação, o escocês adicionou um meteorito de 7,6 centímetros ao barril por 12 meses. Após este tempo, o vinho-meteorito foi misturado com outro lote de Cabernet Sauvignon para equilíbio perfeito entre a Terra e o espaço... Se você é um enófilo e gosta de expandir seus paladares, porque não expandir em alguns anos-luz?


Parte 3 – Por um vinho melhor: Utilidades e mãos à obra
Essa seção é destinada para todos que gostam de trabalhos artesanais e que tem orgulho de exibir em casa o que foi feito com dedicação pelas próprias mãos...
O primeiro vídeo mostra como cortar uma garrafa sem grandes complicações e com uma uniformidade boa. Há outros vídeos que mostram a mesma tarefa, mas com certeza este é o mais simples. O simpático senhor do vídeo fala um pouco sobre outras técnicas e mostra o resultado delas, por vezes mais complicadas ou até mesmo perigosas e que, ao final, não tem o mesmo resultado.
Com a garrafa cortada você pode imortalizar o vinho dos sonhos, degustado em uma noite especial, para virar um suporte para velas, flores, um copo ou o que a sua imaginação permitir... O resultado vale muito a pena:


Veja o vídeo:


E este outro vídeo de utilidades artesanais requer um pouco de infra-estrutura, mas pode resultar em um suporte simples, bonito e eficiente para seus vinhos:


Balaio enológico: um pouco de tudo e regado a um bom vinho.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os 20 mandamentos do vinho: Lista de tarefas para novas experiências e aprendizados!

Você pode estar se perguntando: Mandamentos do vinho? Mais regras e conceitos pra associar a imagem do consumidor de vinho a elitista ou esnobe? E eu te respondo: Longe disso!
São dicas que, como os mandamentos, trazem alguns princípios orientados para uma nova prática. Ou seja, estes são os mandamentos do vinho para te trazer mais diversão e muito mais aprendizados no mundo do vinho. 
São formas de você fugir da simples taça diária daquele vinho diário para se permitir conhecer coisas novas, vinhos novos, regiões diferentes, outras histórias, novos sabores e aromas... São formas de quebrar o padrão regado a bons vinhos, boas experiências e novos aprendizados!
Vamos a algumas dicas e, se você encarar como meta, tenho certeza que terá boas surpresas.

1. Experimente um vinho de um país diferente
Muitos países são reconhecidos no mundo do vinho e, provavelmente, você já tenha provado um bom representante. Mas e aqueles países menos conhecidos e que são novidade? Já provou um vinho da Grécia, da Hungria ou da Croácia? Ou nem precisamos ir tão longe, já optou por um vinho do Uruguai? Países diferentes são muitos e seus vinhos estão por aí, basta você tentar encontrá-los e dar uma chance. Boa sorte.

2. Visite as vinícolas mais próximas
Faça visitas constantes às vinícolas mais próximas, é uma ótima forma de se aprender sobre vinho e conhecer um pouco mais sobre sua cadeia produtiva. Já visitou a mais próxima? Então vá para a outra, deve ter uma logo ao lado... E em cada uma poderá ver a diversidade de uvas e vinhos, as diferentes características e estilos que se consegue em tão pouca distância.

3. Faça uma viagem relacionada ao vinho
Faça uma viagem para desfrutar do vinho em outro local ou país. Visite os vinhedos, vinícolas, compre muitos vinhos, harmonize nas refeições e aproveite cada detalhe do enoturismo. Uma viagem pelo mundo do vinho. Ou várias.

4. Conheça os rótulos do seu país
Já ouviu o ditado que diz “Santo de casa não faz milagres”? Pois então, vamos conhecer e provar os rótulos brasileiros, conhecer as regiões produtoras e o que temos de bom por aqui...

5. Colete e organize seus rótulos
Seja guardar o rótulo ou uma foto dele, ao longo dos anos isso pode render boas histórias e memórias. Se você retira os rótulos, você pode organizá-los em um álbum específico, adicionar informações sobre as características do vinho ou sobre as memórias relativas a ele, o dia que abriu a garrafa, o momento, a companhia... Memórias saborosas, histórias e vinhos.

6. Tome nota de suas impressões
Faça anotações do vinho que está degustando, desde quando abrir até a última taça, do começo ao fim. Com o tempo aberto ele vai mudar pelo contato com o ar, calor, harmonização e pode trazer novas descrições. Guarde esse material e, se depois um tempo, abrir a mesma garrafa de vinho e comparar com suas notas antigas vai se assustar como as impressões podem mudar. Isso é basicamente como uma foto de criança: Você sabe que eles mudaram, mas é somente quando você olha para as fotos que realmente percebe o quanto...

7. Encontre uma nova loja de vinhos
Compre uma garrafa de vinho em uma loja que nunca tinha comprado antes. É uma boa oportunidade para encontrar um novo comerciante atencioso, rótulos bem selecionados, boas condições de compra, custo acessível e vinhos que te atraiam. Na sua cidade tem um winebar? Importadoras? Já os conhece? Sempre tem um lugar que ainda não conhecemos, então visite e aproveite. E ainda tente uma compra online, a internet está por todos os cantos e, hoje em dia, na sua adega também. Muitas empresas oferecem serviços personalizados, buscas direcionadas, dicas de sommelier e, principalmente, preços convidativos. Porque não tentar?

8. Monte uma adega
Monte uma adega em casa. Básica ou mais complexa, vai de acordo com você. Isso vai te ajudar a selecionar rótulos diversificados, de diferentes uvas e regiões do mundo e ainda vai te ajudar a expandir os conhecimentos e ler bastante sobre o assunto. Uma adega de vinhos de bom custo-benefício, de vinhos para o dia-a-dia, de vinhos de guarda, entre tintos, brancos, espumantes e rosés, as combinações são infinitas e você sempre terá um rótulo a espera em sua adega, pronto para você, para o seu jantar e para recepcionar seus convidados.

9. Entre para uma confraria
Quer melhor coisa que uma reunião entre amigos para degustar bons vinhos? É uma alternativa interessante para provar rótulos diferentes e gastar menos com isso. As possibilidades são infinitas, participe de uma e boas degustações.

10. Participe de uma degustação às cegas
Entrou para a confraria e vão fazer uma degustação as cegas onde cada um traz um rótulo embrulhado em papel? Ótimo, a experiência será única. Mas pense que fazer isso em casa, com dois ou três rótulos do mesmo tipo de vinho, também pode ser muito interessante e instrutivo. O que os olhos não vêem o coração não sente, mas seu paladar sim!

11. Participe de um jantar harmonizado
Pratos e vinhos harmonizados em pequenos detalhes... Desfrute de cada um e principalmente da combinação entre os dois. Acho que nem precisamos pensar no porque da importância deste mandamento!

12. Teste utensílios diferentes
Com certeza você já ouvir falar por aí que as taças influenciam diretamente para a percepção das características vinho. Você já colocou isso em prática? Então tire suas conclusões. Quando abrir um vinho, coloque um pouco em taças de diferentes formatos e tamanhos. Beber vinho envolve todos os sentidos...

13. Prove um varietal diferente
É muito fácil encontrar um rótulo com uma uva diferente, no nome e no sabor. Entre os vinhos com Cabertnet Sauvignon e Chardonnay pode ter um que te agrada...

14. Ouse em novas harmonizações
Abra um rótulo inusitado com um jantar diferente. A harmonização te permite ousar, então aproveite. Porque não tentar um Sauvignon Blanc da Nova Zelândia com um Carpaccio com ervas, um Ripasso da Itália com um frango frito picante ou um espumante com o churrasco? O bom mesmo é não ter regras, é se basear no seu gosto. Crie na cozinha. Abra a mente. Abra o vinho.

15. Prove um vinho antigo
Os vinhos antigos têm muito a dizer, são muitas histórias acumuladas na forma de sabores e aromas. Busque um rótulo antigo e faça uma degustação especial. E se estamos falando de vinhos antigos, porque não ir mais longe e buscar um vinho branco? Muitos envelhecem bem, quando bem cuidados, como alguns vinhos de Muscadet, Gewürztraminer ou Riesling que podem se conservar por mais de uma década...

16. Prove um vinho que você acha que não gosta
Tudo relacionado a gastronomia tem o problema de restrição por “achar” que não vai gostar de alguma coisa. Você está esperando o que? Você não gosta de vinho alemão ou realmente nunca provou? Os portugueses não te atraem ou você nunca deu uma oportunidade? Todas as coisas estão passíveis de mudanças, principalmente o nosso paladar.

17. Abra espumantes sem motivo especial
Hoje em dia há muitos espumantes de preço acessível, principalmente aqui no Brasil. Então abra uma garrafa para o jantar de hoje e isso será a ocasião especial. A comemoração? À vida.

18. Vinho de sobremesa na mesa
Sirva um vinho de sobremesa sempre. Coloque na mesa com sua sobremesa e veja o vinho desaparecer...

19. Quebre o limite de preço para cima
Pelo ao menos uma vez, seja em uma loja ou restaurante, vá acima do seu limite médio por uma garrafa, se houver motivo ou se o rótulo lhe parecer interessante. Aquele vinho que você sempre teve vontade na “vitrine”? Você estará dando um presente para a pessoa que mais devemos amar: Nós mesmos. E ainda respeitando o próximo, servindo-o uma taça deste belo vinho.

20. Ouse com um limite máximo
Se você realmente acredita que não há bons vinhos até um determinado preço (considerado baixo para os vinhos), estabeleça o seu limite e vá à caça. Você com certeza encontrará bons rótulos, considerados de bom custo-benefício ou best-buy. “Garimpar” é preciso, daí vêm jóias inestimáveis...


E depois de encarar tudo isso, passe por aqui e compartilhe suas experiências!
Bons vinhos!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Se você é o que você come... O seu vinho é o que você escuta!

Depois do velho ditado “você é o que você come”, o mais recente diz que o seu vinho é um resultado do que você escuta. A idéia soa estranha? 
Estudos recentes têm mostrado que a percepção do vinho é muito influenciada preferência musical, seja ela uma sonata de Bach tocada docemente no seu antigo aparelho de som ou o Hip-Hop estridente no seu iPod. 
Neste embalo, desde 25 de Março a vinícola Concannon Vineyards (EUA) tem oferecidos aos consumidores a oportunidade de experimentar simultaneamente ambos, vinho e música, oferecendo listas de reprodução exclusivas pelo Spotify, um sistema gratuito digital de músicas. Segundo eles, visando criar uma atmosfera ideal para se beber o vinho. 
A própria chamada da empresa é interessante, onde chama o cliente dizendo que o vinho Concannon é “bem feito e raro”, sendo que a combinação dos elementos, vinho e música, pode tornar uma tarde de verão perfeita. Interessou?
O encarregado pelas músicas foi o Huffington Post e pelos vinhos Tony Sachs, autoridade no assunto, que compilaram três “playlists” para acompanhar atividades do verão, como os churrascos no quintal, piqueniques e passeios pela praia, e principalmente para combinar com os vinhos prestigiados da Concannon Vineyards: Concannon Conservancy Crimson & Clover, Concannon Selected Vineyards Petite Sirah and Concannon Selected Vineyards Pinot Grigio. Se os vinhos mantém uma certa leveza e frescor, enquanto isso, as músicas variam desde a diversão de Beach Boys até tons mais sérios de Sarah Vaughan.
“Um grande vinho e boa música têm muito em comum”, disse Sachs. “Ambos envolvem criatividade, inspiração. A idéia no projeto foi criar uma combinação que pudessem trazer um estado de espírito diferente para o consumidor, um sabor e uma experiência que possam ser lembrados nos próximos verões”, complementa ele.
Você que ficou curioso pode acessar o Facebook da Concannon Vineyards como os seus consumidores, para conhecer as listas e ainda partilhar suas experiências sobre a combinação de música e vinho.


Fonte: Concannon Vineyards e Market Watch

quarta-feira, 23 de maio de 2012

International Wine Challenge 2012: Quadro de medalhas, evolução dos vinhos brasileiros e seus representantes

O “International Wine Challenge”, um dos mais influentes concursos do ramo, é bem reconhecido e espalha sua marca por diversos rótulos ao redor do mundo. Muitos são contra estes tipos de avaliação enquanto outros buscam rótulos com a logomarca estampada. O fato é que saíram os resultados de 2012, realizado com a feira “London International Wine Fair 2012” (que iniciou hoje, 22 de maio, e vai até 24 de maio) e eu resolvi ir atrás de algumas informações sobre a versão mais atual deste concurso.
O sistema funciona da seguinte forma, medalha de Ouro para vinhos avaliados entre 96-100 pontos, Prata entre 91-95 pontos e Bronze de 86 a 90 pontos. Ainda há uma categoria de menção honrosa para vinhos com nota entre 80-85 pontos.
“Histórias e Vinhos” compilou o quadro de medalhas de ouro para o IWC 2012, dentre os 15 mil rótulos participantes, e olha como ficou:
1. França: 120 medalhas
2. Austrália: 69 medalhas
3. Portugal: 55 medalhas

Na pesquisa, felizmente ainda percebi que temos bons representantes do Brasil na lista. Acho que isso é de grande importância pra levar o nome do vinho brasileiro por aí... Se compararmos sua evolução no renomado concurso, confira como estamos:

Em 2010 tivemos, no total, 10 premiações, contra 25 em 2011 e 30 em 2012. É bem verdade que o número de menções aumentaram, mas ouro, prata e bronze ou continuaram igual ou deram uma leve diminuída. É um prazer ver tantos espumantes brasileiros na lista, é por isso que eu digo: Deixa borbulhar, Brasil!
Os “medalhistas” brasileiros da edição 2012 foram:

Prata:

Bronze:


Menções:
Dunamis Cabernet Franc 2011 (Vinícola Dunamis)
Dunamis Merlot 2011 (Vinícola Dunamis)
Cave Pericó Espumante Rosé Brut 2010 (Vinícola Pericó)
Aurora Reserva Merlot 2011 (Coop. Vinícola Aurora)
Marcus James Brut (Coop. Vinícola Aurora)
Aurora Brut Pinot Noir (Coop. Vinícola Aurora)
Gran Legado Brut Champenoise (Vinícola Wine Park)
Aracuri Collector Cabernet Sauvignon 2008 (Vinícola Aracuri)
Laurentia Brut (Vinícola Laurentia)
Salton Evidence (Vinícola Salton)
Reserva Boscato Merlot 2007 (Vinícola Boscato)
Espumante Moscatel Castellamare 2011 (Coop. São João)
Espumante Brut Castellamare 2011 (Coop. São João)
Espumante Garibaldi Moscatel (Coop. Vinícola Garibaldi)
Casa Valduga Cabernet Sauvignon 2008 (Casa Valduga)
Ponto Nero Extra Brut (Domno do Brasil)
Ponto Nero Brut Rosé (Domno do Brasil)
Gazzaro Brut (Vinícola Gazzaro)
Terroir Rosé Cave Geisse Brut 2008 (Vinícola Geisse)
Cave Amadeu Elementos Brut (Vinícola Geisse)
Alisios do Seival Pinot Grigio-Riesling 2011 (Vinícola Miolo)
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2008 (Vinícola Miolo)
Miolo Millésime Brut 2009 (Vinícola Miolo)

Parabéns aos vinhos premiados...
Procure por estes vinhos, enquanto eles procuram pelo selo "IWC".
Até a próxima!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Dicas básicas para harmonizar vinhos e alimentos!

Para se conseguir uma boa harmonização entre vinhos e os pratos de uma refeição é necessário considerar alguns componentes básicos de ambos. O mais importante é tentar equilibrá-los, de tal forma que combinem seus aromas e sabores e possam oferecer uma harmonização interessante e rica em novas características.
Os principais elementos básicos da comida e do vinho para se considerar: 

Corpo do vinho e o peso da comida
Quando falamos no corpo do vinho e no peso da comida, o mais importante é tentarmos igualar ambos. Pratos muito ricos, complexos e encorpados precisam igualmente de vinhos encorpados. Um bom exemplo disso são guisados de carne, geralmente com molhos densos, que acabam sendo bem acompanhados por vinhos mais potentes.
Quando pensamos em vinhos potentes, para a maioria das pessoas a escolha instintiva são os vinhos tintos. Realmente eles são a escolha preferida para muitos casos, mas eu gostaria de destacar novas possibilidades, como sempre venho tentando em novas harmonizações, onde podemos pensar como o aspecto mais importante realmente o corpo do vinho e não a sua cor ou sabor. Ou seja, isso abre novas possibilidades de se abrir um bom vinho branco encorpado em contrapartida a um vinho tinto leve (dependendo do prato).
E de forma semelhante, se um prato é mais leve, como aves e peixes, você poderá recorrer a um vinho mais delicado. Nestes casos, os molhos, os ingredientes que são adicionados ou a forma que são cozidos podem dar indicativos essenciais para escolher o vinho que vai melhor com o prato, e exatamente com isso vamos para o segundo tópico.

Intensidade de sabor e possíveis características especiais
Para pensarmos neste tópico, é importante deixarmos claro que a intensidade de sabor, embora semelhante, não é a mesma coisa que o “peso” do prato. Pra exemplificar isto, uma grande tigela de macarrão cozido é um prato pesado, por si só, mas é o molho vai dar a intensidade do sabor. De forma semelhante, as batatas cozidas formam um prato pesado, mas quando adicionada de cebola, tomates, azeitona e um bom azeite começa a se formar uma intensidade de sabores muito diferente para o prato. E, ao contrário de tudo isso, os pimentões são extremamente aromáticos e saborosos, mas ao mesmo tempo leves para se comer, ficando por conta de onde será adicionado o mais importante.
O mesmo vale para os vinhos, pois a variedade Riesling, por exemplo, origina vinhos leves mas intensamente aromatizatos, enquanto Chardonnay pode dar origem a vinhos mais encorpados e, ainda assim, muito ricos em aromas.
Exatamente por isso devemos pensar em como os sabores individuais se combinam e se completam. Como por exemplo, um Sauvignon Blanc com aspargos e um Muscadet para sabores suaves.
Em alguns casos, não é o principal ingrediente de um prato que fornece o sabor predominante. Em um frango cremoso, por exemplo, o molho é muito superior e mais robusto do que o sabor da carne, sendo que você deve pensar em um vinho que se aproxime mais da força e sabor do molho.
Em outros casos, as características de sabor de alguns alimentos e vinhos são tão semelhantes a ponto de facilitar qualquer harmonização, e deixá-las com um toque de “quero mais”.
Pratos picantes podem ser combinados com Gewurztraminer, molhos amanteigados e cremosos vão bem com vinhos fermentados ou envelhecidos em carvalho, vinhos com aromas delicados (desde Pinot Grigio até Muscadet) podem acompanhar mariscos e frutos do mar, enquanto sobremesas leves a bases de frutas podem ser combinadas com uma infinidade de vinhos suaves e aromáticos. A beleza de tudo isso é a diversidade e as novas possibilidades.

Acidez
A acidez mais elevada de um vinho é muito importante para complementarmos alimentos mais gordurosos (da mesma forma quando adicionamos limão em um salmão defumado).
Tanto a comida quanto o vinho podem ter acidez pronunciada. Tomates, cítricos, frutas, são alguns exemplos. De forma semelhante, certas variedades de uvas produzem vinhos mais com teor mais elevado de ácido. Geralmente, vinhos provenientes de climas frios terão acidez mais pronunciada do que vinhos produzidos em climas quentes.
Se vinagre ou suco de limão foram adicionados ao prato como condimentos, você terá que encontrar um exemplar muito ácido de vinho para complementá-lo. Um exemplo clássico é o Champagne servido com salmão defumado com um toque de limão. Mesmo sem o limão, a oleosidade natural deste (e outros) peixes pedem vinhos mais ácidos.
Em países como a Itália, por exemplo, onde muitos pratos tem um toque de azeite, muitos vinhos típicos do país tem uma acidez pronunciada, para complementar sua rica culinária com belos vinhos Barbera, Chianti, Montepulciano, Brunellos, Valpolicella e outros.

Sal
Alimentos salgados, em geral, podem ser equilibrados com um toque de doçura. Esta combinação é exatamente o que buscam algumas combinações entre os próprios alimentos, como o presunto de Parma com um pedaço de melão.
Então, podemos buscar harmonizações semelhantes com o vinho: Um Sauternes, reconhecido vinho doce da região de Bordeaux, é um par muito indicado para um queijo salgado como o Roquefort.
Uma das combinações que devemos evitar é com um vinho rico em taninos, que contrastam com sal e resulta em um amargor destacado. Enquanto isso, uma harmonização que devemos sempre recorrer é com a acidez, sendo um bom exemplo os espumantes servidos com aperitivos antes de uma refeição.
De forma geral, para não ter muito erro quando considerar o conteúdo de sal de um prato seria bom recorrer a vinhos com poucos taninos e acidez perceptível. E, com estas características, apesar de ser mais fácil recorrer a vinhos brancos, alguns tintos podem cumprir bem as “especificações”, como o exemplo do Beaujolais.

Doçura
A dica geral é de que o vinho deve ser tão quanto ou mais doce que o prato. Quando os alimentos são mais doces podem fazer o vinho parecer mais seco, ou trazem um pouco mais de ácido e azedo ao paladar.
Vinhos doces com um bom nível de acidez podem ser uma combinação perfeita para alimentos ricos, como patês. O exemplo fica por conta da clássica combinação de um Sauternes com foie gras, onde a acidez corta a gordura do prato e a doçura do vinho complementa a riqueza da comida.
A doçura também equilibra o sal, desta forma vinhos doces, como um bom vinho do Porto, são companheiros clássicos de queijos azuis.

Taninos
Estes compostos são provenientes das cascas das uvas e durante a vinificação, a quantidade encontrada nos vinhos pode variar muito. Cabernet Sauvignon, Malbec e Tannat, por exemplo, têm a casca mais grossa e podem dar origem a vinhos com alto conteúdo tânico e de intensa coloração.
Em geral, quanto mais gordura e textura na carne mais tanino você precisa no vinho. Quando você ingere um bom pedaço de cordeiro, que recobre a boca de gordura, e bebe um gole de vinho com taninos presentes, eles vão se ligar as moléculas protéicas e limpar o seu paladar. Alerta: Essa combinação é tão boa que você vai querer repetir sempre!


O mais importante: isso não são regras, longe disso, são dicas básicas para buscarmos boas combinações. O vinho não precisa de regras, precisa apenas que você o abra disposto a tentar boas harmonizações, ao lado das pessoas que ama e dividindo bons momentos para a vida. Vai harmonizar? Abra a mente. Abra o vinho.
Saúde!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entendendo as classificações italianas de vinho: DOCG, DOC e IGT


Mesmo para os consumidores regulares e mais experientes, a interpretação de alguns rótulos e das classificações que trazem pode ser duvidosa. Um rótulo pode ser interpretado como um bom livro resumido, pois traz informações sobre as uvas utilizadas, onde foram cultivadas, qual o conteúdo alcoólico, informações sobre embalagem, tempo de colheita, informações do produtor sobre o vinho e tantas outras coisas. Apesar do grande clímax caber a você, durante a própria degustação, uma questão sempre duvidosa pode surgir no rótulo: A certificação ou denominação ou classificação de origem... 
Para entendermos um pouco mais sobre isso, vamos pegar uma garrafa de vinho italiano para compreendermos o que significam as siglas comumente estampadas DOCG, DOC, IGT (com base nas espeficações e regras), de forma resumida e básica.
Para você, é verdade que quanto mais ilustre a certificação, melhor o vinho? Muitos consumidores acham que sim. E ainda quando vêem que o preço de uma garrafa DOCG é encontrada por três vezes mais que um vinho IGT, eles acabam confirmando a suspeita. A minha dica é, se você pensa assim, segure o cartão antes de gastar pela garrafa e vamos entender um pouco mais sobre o assunto.

DOCG: Denominazione di Origine Controllata e Garantita
Esta é a denominação que todo vinho italiano aspira, pois significa que o enólogo seguiu parâmetros e normas muito restritos durante a criação do vinho. Foi criada para homenagear as tradições vinícolas da Itália, onde em algumas áreas do país se utiliza apenas alguns tipos de uvas para se criar um vinho com estilo específico.
Um exemplo clássico é o Chianti Classico, que trouxe no nome a chamada, produzido em Chianti, na Toscana, com uma proporção ideal de uvas Sangiovese e envelhecido de maneira controlada para que possa se encaixar nesta classificação.
No entanto, apenas isso não é o suficiente, pois para ganhar o “Garantia” do título, o vinho ainda deve passar pela aprovação de uma comissão de certificação de autenticidade e de qualidade. Como resultado, a quantidade de vinhos e a diversidade são restritos e, como já era de se esperar, você vai pagar caro por eles.
  
DOC: Denominazione di Origine Controllata
            No próximo nível vem o DOC, criado em 1963, visando estabelecer e manter a qualidade do produto de reputação nacional. Atualmente, são vinhos mais facilmente encontrados e disseminados. Estes vinhos seguem os critérios do estilo em que são rotulados, como a área apropriada, utilizando as uvas corretas e produzidos seguindo métodos apropriados. Ou seja, isso pode dizer que os viticultores utilizaram as mesmas técnicas e receitas preconizadas da região com as mesmas variedades de uva. Nestes casos, você pode estar certo do que esperar quando abrir a rolha.

IGT: Indicazione Geografica Tipica
A IGT, por sua vez, é um parente recém-chegado as classificações do vinho italiano e indicada para vinhos de uma região específica dentro do país. Lançada em 1992, a nomeação foi criada para dar respeito a uma nova classe de vinhos da Itália, comumente conhecidos como os “Super Toscanos”. Resumidamente, na década de 1970 alguns enólogos não seguiram as tradições propostas e, meio como quem não quer nada, adicionaram novas variedades a suas misturas, como as uvas francesas Merlot e Cabernet Sauvignon. O resultado foi um vinho rico, complexo e que muitos amavam pois não se encaixavam nas normas DOC sendo, na época, identificados como vinhos de mesa. À medida que sua popularidade e preço cresciam, a humilde classificação parecia deslocada e, rapidamente, todo vinho que não se encaixavam nos padrões típicos Italianos foram identificados como IGT.

Para ficar claro: A principal diferença entre um DOC e DOCG é que, este último, deve passar pelo teste cego de qualidade para garantir os requerimentos legais para ser assim designado. Desde 1992, quando foram criadas novas regras, foram também impostos novos requerimentos e exigências para os DOCG, como a produção de uvas por hectare e nível mínimo de álcool natural, entre outros. O objetivo de tudo isso é de incentivar os produtores a se concentrar em fazer um vinho de qualidade.
- Estima-se, a partir dos dados mais recentes coletados entre 2006-2010, que atualmente haja 120 zonas de IGT, 311 DOC e 32 denominações DOCG.

Como podem ver, nem sempre as letras mais extravagantes são do melhor vinho, isso nem sempre vai soar verdadeiro. Há, por exemplo, toscanos rotulados como IGT e melhor classificados que alguns DOCG.
Assim como não podemos julgar um livro pela capa, também não podemos julgar um vinho pelo seu rótulo. O melhor mesmo é saber o que se encaixa melhor ao seu gosto...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem será o novo Robert Parker? Ele mesmo responde...

Eu começo este texto com uma afirmação que tenho visto por aí: Parker disse “au revoir”. É bem verdade que muitos discutem a saída de Parker da grande cena e a perda de sua influência pode ser confirmada quando vemos que muitos já não dão tanta importância para os letreiros garrafais que estampam o “RP” em suas divulgações. E eu me pergunto, será mesmo?
O próprio, Robert Parker, concedeu uma entrevista recentemente ao site Liv-Ex, onde foi questionado sobre quem seria o seu futuro sucessor como crítico da região de Bordeaux. Parker deu a entender que Neal Martin poderia substituí-lo no futuro na The Wine Advocate. Mas calma, ele acrescentou: “Eu não acho que vocês devem se preocupar sobre sucessor pelos próximos cinco anos”. 
Ainda que tenha feito bons elogios à evolução do jovem de sua equipe, concluiu dizendo: “Eu quero que ele continue fazendo o que está fazendo. Não quero prometer-lhe o trabalho. Quando o dia chegar, se é daqui a cinco anos ou mais, veremos. Se for aberta uma competição, Neil provavelmente terá uma vantagem por fazer parte do círculo”.
Durante a entrevista, os temas ainda passearam pelo seu entusiasmo com o trabalho e com o seu próprio consentimento de que seu papel está mudando pouco a pouco com o grande número de provadores que se juntaram a equipe recentemente.
Quando questionado sobre os recentes escândalos de Pancho Campo e Jay Miller, ele disparou em tom de culpa e longínqua auto-punição:
- Eu tenho que contratar e gerenciar pessoas e eu estou aprendendo coisas boas e ruins sobre isso. Estou aprendendo sobre supervisão e comunicação. Para mim é um desafio tomar parte da culpa do que aconteceu com os dois. Apesar de não termos acesso ao relatório final da investigação, devo assumir que não supervisionei Jay Miller da forma eficaz que deveria.
Quando o assunto foi vinho, degustações e críticas, ele acrescentou que atualmente está trabalhando com safras de 1995 e 1996 de Bordeaux. Como a de 96 está “vivendo suas esperanças”, já com a de 95 provando um “perfil severo e austero”. Além de Bordeaux, ele mostrou entusiasmo com os vinhos da Argentina, especialmente os de Malbec. E concluiu que está ficando empolgado com o trabalho que o Chile vem realizando com Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. E pra finalizar, a Espanha foi definida como o “gigante adormecido do Mediterrâneo”.
Parker está com o pé no chão e as taças na mão. Sobre isso, como vocês viram neste trecho, a conclusão básica é que este tempo de cinco anos foi insistentemente repetido pelo crítico de vinhos. Será que o futuro da crítica do vinho, para Parker, será no estilo “vocês vão ter que me engolir?”

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Bons aplicativos para você ficar ligado no mundo do vinho!

No celular, no tablet, no computador, sistema Android ou Apple, não importa! A diversidade de aplicativos para ficar ligado no mundo do vinho se multiplicam a cada dia, o que é muito interessante pois abrem diversas possibilidades para que você possa ter um aplicativo para leitura, atualização, para ter mais informações sobre vinhos ou até mesmo algum aplicativo que auxilie no controle de sua adega. Fiquem com algumas dicas de bons aplicativos e, claro, caso tenha qualquer sugestão envie para o “Histórias e Vinhos”, pois será muito bem-vinda.

Para pesquisa sobre vinhos, harmonizações e informações gerais: 
- Hello Vino: ótimo aplicativo para sugestão de harmonização de vinhos e pratos. Ele não é como a maioria, genéricos ou específicos demais, trazendo boas dicas e conselhos acessíveis. Em alguns casos traz boas informações sobre o vinho, denominação, produtor e assim por diante. Paralelo a isso, você pode pesquisar por prato ou por combinação. Ainda é possível armazenar lembranças sobre rótulos degustados e ainda reconhecimento de etiqueta. Outros pontos positivos: Possui áudio, pesquisa por denominação e é grátis. (Utilização: iPhone)
- Cor.kz Wine Info: Um ótimo  e completo aplicativo sobre vinhos, que te permite pesquisar rótulos em uma biblioteca grande, fazer buscas utilizando o código de barras, fazer comparação entre vinhos, administrar sua adega, faz busca de preços online e etc. Ponto positivo: Muitas informações e possibilidades. Ponto negativo: É pago, U$2,99. 
- Wine Angel: Desde uvas e vinhos até mapas vinícolas e alimentos para harmonização. Peguei a pouco tempo e ainda estou conhecendo. Ainda traz algumas informações sobre como degustar vinhos, vídeos informativos e possibilidade registrar suas próprias notas de degustação. Aplicativo pago, U$2,99.
- Wine Snob: Um dos muitos aplicativos que te permite dar nota e controlar seus vinhos degustados. Fácil de navegar e utilizar e não tem nada de esnobe. Traz boas informações de harmonização e sobre vinhos em geral. Aplicativo grátis.
- Drync Wine: Controle os vinhos que já bebeu, os que têm e que pretende comprar. Tem uma área interessante para os Top Wines e te permite fazer buscas por marca, notas e buscar vinhos para compra online (para nós, brasileiros, um pouco mais complicado). Versão livre ou Pro (U$3,99).

Para leitura e referência:
- Enoblogs: A versão digital do maior portal de vinhos brasileiro, com sites e blogs sobre vinhos. Ponto positivo: Em português, variedade de blogs, textos diversos, atualização constante e é grátis. (Utilização: iPhone e iPad)
- Wines and Vines: Aplicativo com muitas informações pra ter acesso sempre sobre vinhos e harmonizações. Minha opinião pessoal é que ele tem muitas informações sobre diversos tipos de uvas, o que é interessante, mas acaba pecando em informações de outras áreas. Aplicativo pago: U$2,99.
- Food and Wine: se estiver disposto a adquirir algum exemplar da revista Food and Wine, cada exemplar online fica por U$3,99.

E alguns outros relacionados:
- Instagram: Para arquivar e compartilhar boas fotos de seus rótulos degustados.
- All Recipes: Uso e também recomendo. Um livro de receitas muito completo, tem de tudo. (Ponto positivo: Grátis. Ponto negativo: Em inglês, então algumas coisas de algumas receitas devem ser adaptadas)
- Urbanspoon e Yelp: Está viajando e quer descobrir onde tem um bom restaurante próximo a você? Clique e confira, com dicas, avaliações e sugestões dos restaurantes.
- Mixology: Quer se lançar no mundo de coquetéis e drinks? Então dê uma olhada neste aplicativo, fácil de navegar e útil para se preparar coquetéis e saber como misturar tudo o que você tem guardado ai para fazer um bom drink. É grátis mas você pode pagar pela versão mais completa.

            Espero que você aproveite alguns destes aplicativos, e se tiver qualquer sugestão será muito bem-vinda. Ainda faltam aplicativos em português, o que é uma pena.
Aproveite o mundo do vinho no seu bolso, a qualquer momento e qualquer lugar, para informações, harmonizações e para lembrança de bons rótulos degustados.
            Até a próxima e bons vinhos...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

100 anos depois: Conhecendo os vinhos e drinks servidos no Titanic!

Dia 14 de abril marcou o centenário do histórico naufrágio do gigante Titanic e a Revista Wine Enthusiast resolveu se perguntar quais os tipos de bebidas e vinhos estavam a bordo do malfadado navio.
A pouca documentação a que tiveram acesso mostra que o navio trazia 1000 garrafas de vinho, 850 garrafas de destilados e 191 caixas de licores. 
          Os passageiros de primeira classe navegavam cercados de luxuosas e abundantes refeições. Os menus resgatados do navio indicaram que a norma eram 10 refeições, sendo que cada prato era combinado com vinho. Algumas rolhas que sobreviveram ao naufrágio para contar história foram identificadas como uma seleção de champanhes de Moët e Heidsieck & Co. Pouco antes do centenário algumas destas garrafas recuperadas em meio aos destroços foram leiloadas na casa de leilões Guernsey´s Auctioneers & Brokers, em Nova Iorque.
         Alguns drinks servidos para os passageiros incluíam os chamados Manhattan, Tom Collins, John Collins, Rob Roy e Robert Burns, considerados por consultores atuais como os grandes da época.
      Poucos nomes de vinhos ficam para a história, mas pode-se estimar que muitas garrafas navegaram solitárias em meio a turbulência do momento.

terça-feira, 8 de maio de 2012

As celebridades no mundo do vinho: Luz, câmera, degustação!

A tendência de celebridades se lançarem a aquisição de vinhedos e lançamento de vinhos não é um fenômeno recente, mas hoje em dia podemos dizer que o vinho sobe aos palcos, faz gol de placa, está na televisão, no cinema e por aí vai. Tudo bem que, se pensarmos bem, não de forma direta mas com cada nova celebridade que se lança no mundo do vinho.
Isso nos remete a uma analogia óbvia dos filósofos e generais gregos e romanos que, antigamente, eram donos de vinhas e utilizavam todo o resultado liquido para seu consumo próprio.
O fato deste grande aumento de celebridades lançando marcas de vinho e produtos próprios está relacionado a alguns fatores, o primeiro deles é a grande quantidade de dinheiro disponível para investimentos que tornam o investimento em uma adega, vinhas e cadeia produtiva acessível. Depois podem entrar ainda benefícios da divulgação de seu nome em outros meios e o fato do negócio ainda oferecer alguns benefícios fiscais. E claro nestes tópicos ainda se deve considerar o gosto e prazer pelo vinho. Aliando tudo isso, não nesta mesma ordem, pronto: Mais um vinho lançado, com uma garrafa em forma de caricatura...
Enquanto algumas celebridades como o músico britânico Sting, o casal Brad Pitt e Angelina Jolie, o ator Johnny Depp, o jogador de futebol David Beckham, que são proprietários de vinhedos e vinícolas exclusivamente para o uso pessoal, outras encaram tudo isso como o desafio de uma nova empresa e tentam alavancar seu nome como uma ferramenta de venda na indústria do vinho. Atualmente, muitas celebridades têm em suas vinícolas empreendimentos altamente rentáveis. Em 2007, por exemplo, o site Nielsen divulgou uma matéria mostrando que a venda dos vinhos de celebridades foi alavancada em 19% quando comparada aos anos anteriores.
O grau de envolvimento de cada um na vinícola e produto final é variável. Em grande parte dos casos há apenas a colaboração com um produtor já estabelecido na indústria, fazendo o chamado “venture”. Diversos exemplos se encaixam nesta relação, um exemplo disso é o ex-jogador de futebol americano Joe Montana que, associado ao produtor Ed Sabragia, fica responsável pela decisão final sobre a “visão” geral do vinho e com a sua divulgação em feiras e eventos, enquanto o outro faz, podemos assim dizer, o vinho! Acreditem, tem até locutor esportivo e outros por ai que se também se enquadram nesta classe...
Outras celebridades entram unicamente com seu nome, durante um período de tempo ou para uma marca específica. O músico Carlos Santana é um exemplo disso, que em parceria com a vinícola Champagne GH Mumm criaram um espumante em 2007, intitulado Santana DVX. Eu é que não gostaria de prová-lo, se o vinho fizer tanto solo como ele não há combinação que valha! Caso rápido: o vinho é lançado, entram os royalties para o músico que “emprestou” seu nome e imagem, e acabou, sobem os créditos. Bob Dylan, o famoso músico participou de um acordo semelhante com a marca italiana Fattoria Le Terrazze. A adega usou seu nome, imagem e até arte de seu álbum (Planet Waves, 1974) para dar cara ao vinho. Mais recentemente, em 2009, o chef Gordon Ramsay deu permissão a uma vinícola de Bordeaux para usar seu nome, sem royalties, para comemorar o lançamento de um vinho sua décima vindima.
Outro exemplo de enquadramento fica por conta do diretor Francis Ford Copolla, que tem sua história enraizada no mundo das vinhas sendo que a vinificação é uma longa tradição familiar.
Mais um nome que deve vir a cabeça de muitos é o do ator Gérard Depardieu, que já tem uma longa e conhecida história com o vinho, sendo que sua parcela está investida no Château de Tigne (Anjou, Vale do Loire, França). Até mesmo no renomado documentário “Mondovino” seu nome é citado em meio ao dos enólogos que dão seus relatos na produção.
            O badalado jogador Leonel Messi também acaba de entrar para a indústria vinícola. O jogador foi escalado pela vinícola argentina Bodega Valentin Bianchi para lançar um vinho com seu nome. Os benefícios arrecadados pela estrela serão destinados às causas sociais da fundação de Messi. Gol de placa ou vinho de qualidade?
            A “popstar” Fergie, do grupo Black Eyed Peas, já está finalizando a compra de uma vinícola na Califórnia e preparando o lançamento da sua marca. A atriz Drew Barrymore fez o mesmo pouco tempo atrás na Itália e não podemos nos esquecer do rockeiro Lemmy do Motörhead.
Mais algumas celebridades no mundo do vinho? Não são poucas, o vinho já passeou pela fórmula 1 com Jean Alesi (investimentos Côtes-du-Rhône, França), na telinha com Antonio Banderas (Anta Banderas, Ribera Del Duero, Espanha), nos palcos com o músico Dave Matthews (Blenheim Vineyards, Virginia, USA) e está por ai com tantas outras.
De fato, alguns entram neste mundo porque podem e outros porque realmente gostam. Se pensarmos bem, isso não resume bem o mundo do vinho?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aromas naturais: Importância, produção e mercado mundial

Apesar deste texto não ser específico aos aromas do vinho, recomendo sua leitura. Muito completo e informativo, mostrando toda a importância destas moléculas que são referências para o consumo de alimentos e bebidas. Por serem tão importantes para tantos produtos, como o próprio vinho, acabam movimentando uma das maiores parcelas da indústria mundial de aditivos... Entenda um pouco da definição e das diferenças entre os tipos de aromas, e ainda quais as formas de produção de um aroma natural. Um trecho do texto: 
“Atrativos e importantes os aromas passaram a ter maior atenção das grandes empresas após a constatação de que estas moléculas não eram consideradas como simples aditivos, mas em muitos casos a chave para o consumo de um produto, por serem responsáveis pela melhoria de suas características e um importante atributo ao sabor desejado”.
Leia a matéria completa, publicada na revista técnica “Engarrafador Moderno”, em fevereiro de 2011:

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Rótulo ofensivo gera controversas: Lição com dose de comédia...

As diferentes línguas e expressões pelo mundo não são unânimes: Isso é unânime! Quantas vezes uma palavra aqui quer dizer uma coisa, e em outro país outra bem diferente? E um simples sinal com a mão pode mudar tudo quando visto por uma nacionalidade e por outra. Do contido ao desmedido. É assim mesmo.
Pois bem, com os rótulos de vinhos, e mais especificamente com seu nome, pode ser a mesma coisa! 
Esta semana a imprensa soltou uma informação curiosa, publicada pela revista The Drink Business, de um vinho chileno que está dando o que falar lá longe, na China. O vinho em questão é o Chilensis, da foto ao lado, comercializado pela Via Wines (Vale do Maule), que pode ser traduzido livremente como “f*cking nuts” para o inglês, e que geraria algo vulgar no português.
Neste caso específico, a imprensa local disse que o fato foi positivo às vendas do vinho, sendo que seu preço subiu de HK$49 para H$59 em questão de dias, empurrando para cima o lucro. Seria a compra guiada pelo interesse ao vulgar ou relacionada ao curioso? Eu não sei.
O fato é que tudo serve para uma lição: Muita cautela para liberar os rótulos quando mudamos, por exemplo, para o Extremo Oriente, evitando ou minimizando a possibilidade do inadvertido-ofensivo.
Esse não é um problema novo e nem relacionado aos mais desconhecidos. O famoso Château Latour, por exemplo, teve alguns problemas de crescimento no início de sua entrada no mercado Chinês pois seu nome seria algo em torno do inglês “falling down”, ou “cair, ou para baixo” na livre tradução para o português.
E ainda mais além, outros problemas com traduções embaraçosas foram observados em outros setores de bebidas. A Pepsi, por exemplo, já usou erroneamente o slogan “A Pepsi traz os seus ancestrais de volta da sepultura”, tentando dizer em chinês “A Pepsi te traz de volta à vida” (do inglês “Pepsi Brings you Back to Life”).
De forma semelhante, a primeira tentativa da grande Coca-Cola traduzir o nome de sua marca para o chinês ficou algo do tipo “Ke-kou-ke-la”, que comicamente dizia “égua recheada de cera”. Após um tempo de merecida reflexão foi alterado para “Ko-kou-ko-le”, que mais adequadamente diz “felicidade na boca”.
Consumo em baixa? Não, mas uma boa lição: Adequação e adaptação!